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1993… eu era um jovem e estava participando do treinamento Missionário da OM (Operação Mobilização). Seria um ano de treinamento teórico e trabalho missionário de campo. Fomos distribuídos em equipes para o estágio prático. Minha equipe foi destinada a trabalhar no litoral da Bahia, em comunidades de pescadores. Tratava-se de um estágio em parceria com a MEAP (Missão Evangélica de Assistência aos Pescadores).

Eu e mais três missionárias, que formavam a equipe comigo, chegamos numa ilha sem nenhum trabalho evangélico. Era um sábado. Acomodamos nossos pertences na casa onde iríamos ficar hospedados naquele mês e resolvemos fazer um primeiro culto ao ar livre ao final da tarde. A experiência daquele dia foi muito difícil!

Vivemos naquele final de sábado uma batalha espiritual muito intensa. Homens da comunidade começaram a fazer piadas e a insinuar coisas indevidas em relação ao culto, a Deus e às missionárias. Com nossos corações desanimados e entristecidos, paramos o culto imediatamente, retornando à nossa casa. Fizemos uma reunião de oração e sentimos Deus nos lembrando que a batalha é dEle e que precisaríamos orar e interceder por aquele povo amado por Jesus. Estávamos verdadeiramente tristes e frustrados, estávamos ali para servir e abençoar aquelas pessoas. Um sentimento que já vivi muitas vezes em meus mais de vinte e cinco anos de ministério pastoral. Parece que nós é que estamos sendo ofendidos e rejeitados, mas na verdade, o que Deus nos ensinou na prática era que a luta era dEle.

Após aquela reunião de oração, decidimos usar o dia seguinte como um dia de jejum e oração. Passamos todo aquele domingo orando e jejuando como equipe, clamando que Deus manifestasse seu poder e Graça sobre aquela ilha. Foi um domingo inesquecível. Deus manifestou Seu amor por aquele povo e nosso coração se renovou de amor e alegria por estarmos ali.

A partir da segunda-feira, iniciamos o trabalho de evangelização e visitação à comunidade. Grande foi a nossa alegria! Depois de quinze dias trabalhando e visitando as famílias, tivemos um número significativo de conversões, inclusive uma líder espiritual de outra religião que entregou a vida a Jesus dando um grande testemunho para toda a comunidade. Ao término daquele mês, deixamos uma pequena comunidade de cristãos convertidos, para a glória de Deus.

Compartilho essa história, vivida há aproximadamente 28 anos, para exemplificar a importância da oração e da dependência de Deus para que a obra missionária, evangelizadora, seja realizada. Precisamos da presença sobrenatural de Deus conosco para cumprirmos sua missão.

Jesus nos ensinou, em Atos 1.8, que receberíamos poder ao descer sobre nós o Espírito Santo e seríamos suas testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até os confins da terra. Esta promessa aos discípulos se cumpriu em Atos 2, no dia de Pentecostes. A partir do derramar do Espírito Santo sobre a Igreja, todos nós recebemos o Parácleto, o ajudador, o Espírito Santo de Deus que nos fortalece, capacita com dons espirituais e nos consola nas horas difíceis. O Espírito Santo, nosso Deus, está ao nosso lado em todo tempo.

Após a ressurreição, Jesus orientou os discípulos que não saíssem de onde estavam sem antes serem revestidos de poder. Da mesma forma, o apóstolo Paulo vai nos ensinar que o seu ministério não consistia em palavras bonitas, nem de sabedoria humana, mas sim na manifestação do poder de Deus. A Igreja, como uma comunidade de discípulos, tem um chamado para agir neste mundo, estabelecendo o Reino de Deus. Isso é um chamado a guerrear contra o príncipe deste mundo, um chamado que só conseguiremos vencer pelo poder sobrenatural de Deus. Precisamos resgatar uma total dependência do Espírito Santo de Deus para obra do ministério.

A cidade do Rio de Janeiro está envolvida em uma nuvem de caos com extrema influência de forças espirituais malignas. Temos vivido dias de corrupção, opressão e engano. De fato, o mundo jaz no maligno e ao nosso redor podemos ver uma dominação muito grande sobre mentes e corações que precisam conhecer Jesus, o Cristo que liberta. Muitas famílias destruídas, jovens prisioneiros das drogas e da pornografia, homens agredindo suas esposas, pandemia desestabilizando negócios e relacionamentos. Juntamente com isso, ficamos preocupados com tantas de nossas amadas igrejas batistas enfraquecidas. Igrejas que já fizeram tanto por esta cidade e, que por alguns motivos, enfrentam momentos desafiadores, baixa de membresia, crise financeira, pecado, ameaças do tráfico, etc…

Jesus, em sua sabedoria, já nos ensinou que não poderíamos entrar na casa do valente e saquear a casa do valente sem antes amarrar o valente. Da mesma forma, não podemos nos enganar, pensando que vamos mudar o que vemos ao nosso redor, sem antes amarrarmos o nosso adversário. Por isso, irmãos, temos um tema tão oportuno em nossa campanha missionária de 2021, um chamado ao avivamento para que possamos realizar a obra missionária Urbana. Somente com o avivar do Espírito Santo em nossas igrejas, em nossos corações, é que poderemos verdadeiramente amarrar o valente e vencê-lo nesta batalha espiritual.

Não se engane! Algumas vezes, quando falamos “aviva-nos, senhor!”, temos a expectativa de que algo mágico e místico virá sobre nós, de maneira inesperada e instantânea. Precisamos entender que todo e qualquer avivamento começa com corações quebrantados, que reconhecem a sua incapacidade para obra do ministério e curvam-se em total dependência, clamando ao Rei dos reis que venha estabelecer o seu reino. Precisamos voltar ao joelho, ao coração contrito e dependente de Deus. Seja qual for a situação, não importa o tamanho da batalha, nem quão furioso o inimigo se levante contra a Igreja. Jesus é maior, as portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja. Sendo assim, antes de muito trabalho, de estratégias e esforços, curvemos nossas mentes e corações em total dependência do Senhor para que o Espírito Santo venha sobre cada Igreja Batista Carioca, sobre a vida de cada pastor, de cada membro, e que cada um de nós se levante como uma testemunha de Jesus em meio ao caos.

Quando Josué estava prestes a dominar cidades para o Senhor, recebeu uma orientação: “santificai-vos, pois amanhã o senhor fará maravilhas no meio de vós”. Termino esta reflexão fazendo o mesmo apelo. Todos nós precisamos nos santificar, voltar a nossa mente e coração para que as maravilhas de Deus, pelo poder e agir do Espírito Santo, se manifestem e o Rio de Janeiro seja transformado.

Que Deus nos abençoe.

Pr. Lívio Renato Barbosa de Oliveira
PIB em Vila Valqueire – Igreja ViVa
@liviorenato @pibviva