Já dissemos em outra postagem que o Circuito Carioca de Qualidade de Vida (CCQV) é uma rede de parcerias que conecta ministérios esportivos das igrejas batistas, oportunizando a troca de informações e treinamentos de liderança a partir de uma metodologia missionária. Além de detalhar o CCQV, a postagem apresentou um projeto de futebol que tem sido um farol de Deus para crianças socialmente vulneráveis. Agora, queremos dar sequência à amostra de parceiros do Circuito Carioca de Qualidade de Vida, entrevistando Marcello Nóbrega, o responsável por um trabalho que já conta com cinco filiais, sendo quatro em diferentes bairros do Rio de Janeiro e uma na Baixada Fluminense. Apresentamos a você o Judô Nintai.

Quem é Marcello Nóbrega e como surgiu sua paixão pelo esporte?
Sou batista, diácono da Igreja Comunidade Batista Vida e casado com a Rosana. Tenho 53 anos, sou natural do Rio de janeiro, faixa preta 3º DAN de judô, árbitro nacional pela Confederação Brasileira de Judô e formando em Educação Física pela Faculdade Celso Lisboa (3º período). Minha paixão vem desde os 10 anos de idade, quando iniciei no judô. Porém, devido a dificuldades, meus pais precisaram me tirar das aulas. Anos depois, em 1999, coloquei meus filhos no judô e o professor deles, ao saber que eu já havia praticado, me convidou para retornar aos treinos. Então, aos 34 anos, voltei a treinar e não parei mais.

Qual foi sua motivação para desenvolver um ministério esportivo?
Após minha conversão, em 2009, senti a necessidade por estímulo do pastor Ulisses Torres – que ainda era seminarista – a utilizar o judô como meio de evangelização e discipulado.

Marcello com alunos de Belford Roxo

Onde o projeto de judô está instalado e como você descreveria a realidade social dessa região?
Temos diversos polos em funcionamento:

1) Oswaldo Cruz
Funciona na Primeira Igreja Batista de Oswaldo Cruz, com aulas acontecendo às terças e quintas. A realidade das crianças é bem favorável. Elas são acompanhados pelos pais durante os treinos, pois não é uma região de crianças carentes.
Estamos nesse trabalho desde 2011.

2) Acarí
Funciona na Congregação Batista de Acari, filha da Igreja Batista Dona Marta. As aulas acontecem todas as segundas-feiras.
Por se tratar de uma comunidade carente, a realidade é diferente. As crianças não contam com a companhia dos pais, muitas são criadas pelas mães e não possuem condições de adquirir quimonos para treinar. Estamos nesse trabalho desde 2017.

3) Rocha
Funciona na Igreja Batista do Rocha e as aulas acontecem às terças e quintas. Atendemos crianças de uma realidade bem complicada, incluindo moradores de uma região de invasão chamada de Bairro Carioca e das redondezas de Triagem. São crianças que vêm direto da rua para os treinos. Elas não vêm acompanhadas pelos pais, pois muitos dos responsáveis estão pela cidade, catando material para reciclagem. Estamos nesse trabalho desde 2017.

4) Colégio
Funciona na Congregação Família Betel, filha da Comunidade Batista Vida. As aulas acontecem todas as quartas-feiras.
A realidade é semelhante a das crianças do Rocha. O pastor da congregação tem que, na maioria das vezes, buscar as crianças na comunidade. São crianças que, quando não estão na escola, ficam nas ruas. Essas também não têm condições de comprar os kimonos para os treinos. Estamos nesse trabalho desde 2018.

5) Belford Roxo
Funciona na Terceira Igreja Batista de Areia Branca. As aulas acontecem todas as sextas-feiras.
A realidade é semelhante a das crianças de Oswaldo Cruz, uma vez que não moram dentro de uma comunidade carente. Os pais vêm aos treinos acompanhando os filhos e, na sua maioria, conseguem adquirir seus kimonos para o treino. Estamos nesse trabalho desde 2018.

Como você conheceu a proposta esportiva de Missões Rio e por que decidiu participar dessa parceria?
Sou ovelha do pastor Ulisses, que é capelão esportivo de Missões Rio. Assim, fui convidado para essa parceria, uma vez que já tenho um trabalho em andamento.

Crianças de Acari aprendem os primeiros passos do Judô

Quantas pessoas são beneficiadas pelo seu trabalho e que tipo de transformação você espera ver nelas?
Atendemos em média 80 crianças. Queremos dar esperança a essas crianças. Mostrar que são capazes de realizar seus projetos de vida, por meio da proclamação do evangelho, por meio do esporte como ferramenta de desenvolvimento de saúde, desenvolvimento da autoestima, por exemplo… Sem falar em ganhos cognitivos, socialização e valores morais e éticos, fundamentais para o desenvolvimento humano.

Quais as maiores dificuldades enfrentadas pelo seu ministério?
Por vezes, necessitamos de um suporte de pessoas da igreja local para dar continuidade ao trabalho depois dos treinos. No sentido de criar uma relação com os alunos para, dessa forma, trazer tanto a criança como a sua família ao convívio da Igreja.

Além disso, temos como necessidades o sustento missionário, kimonos para as crianças que não podem adquirir, ajuda de custo para inscrever alunos em competições para o seu pleno desenvolvimento enquanto atleta e para dar testemunho ao trabalho que realizamos com essas crianças. Por fim, em alguns polos, como Acari e Belford Roxo, temos a necessidade de tatames.