“Portanto recebei-vos uns aos outros, como também Cristo nos recebeu, para glória de Deus.” (Rm.15:7)

Essa é uma das cinco afirmações basilares da Reforma Protestante. Uma das menos lembradas, faladas, mas ela compõe esse pentágono de teses principais pelas quais eclodiu o movimento reformador. Num momento em que a Igreja se apresentava como a Glória de Deus, como uma máscara gloriosa da Presença de Deus na Terra, coisa que podia ser visto na suntuosidade e vultuosidade de suas construções e projetos de catedrais, como a Basílica de São Pedro; numa época em que os emissários “de Deus” tinham o interesse em brilharem (o termo glória é isso, fulgor, brilho intenso) mais do que Aquele que os iluminava, mais do que o próprio Senhor, você pode imaginar o impacto que esta afirmação teve. E eu emendo: continua tendo!

Mas por que ela é necessária nos nossos dias?

Bom, a Glória de Deus continua sendo obliterada pelos ministérios desenvolvidos em nome dEle. Templos suntuosos que não abrigam a Glória de Deus mas o ego dos pastores presidentes. Ministérios que não apontam para Jesus porque são narcisísticos demais para se voltarem para qualquer outro lugar que não seja o próprio umbigo. Sim, nós precisamos revisitar o propósito da vida: a glorificação a Deus!

Contudo, a Glória de Deus não está perdida somente entre os líderes religiosos. Ela encontra esse paradoxal “eco de sua mudez” na vida de muita gente boa. Gente como você, que vai aos cultos, faz o bem, entrega seus dízimos e ofertas. Aí você se pergunta: “quando faço isso?”. Veja alguns exemplos:

1) quando você passa numa prova ou termina um curso e chama não só a alegria da vitória, da conquista, para você como também o propósito da conquista. É quando você a promoção para você; quando você a conclusão do curso para você; quando você o aumento dos recursos só para você. Que engano!!! Tudo isso é para a Glória de Deus e se atingimos alguma coisa é pela força e benção de Deus, que aliadas a nossa dedicação produzem os sonhados resultados;

2) quando você celebra os relacionamentos que são construídos através da especial e singular pessoa que você é e que Deus formou, essa celebração deve ser para a Glória de Deus. Jamais uma pessoa deve ser convertida numa coisa, num objeto para nosso uso. A dignidade da vida humana está sobre as demais formas de apreensão e compreensão da vida, inclusive as chamadas religiosas! Celebre a Deus a vida de quem lhe cerca e de quem voce quer bem. Celebre para Glória de Deus;

3) quando nossa agenda pessoal suplanta a agenda divina, deixamos de viver para a Glória de Deus. Um pequeno e objetivo exemplo disso é a freqüência/ausência dos cultos. Ora, se tudo o mais substitui nosso momento de devoção, de encontro com o Senhor; se perdemos esse momento em que a Palavra é aberta e somos confrontados sobre nossos rumos em contraponto à Glória de Deus, será que realmente nossa vida é para a Glória de Deus? Se nessa pequenina mostra objetiva isso acontece, imagina o que não deve passar despercebido na nossa interioridade…
Como bem disse Lutero: “Soli Deo Gloria”

Deus abençoe cada um de vocês.

Pr. Sergio Dusilek
*Extraído do blog pessoal sergiodusilek.worpress.com

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