Gostaríamos de criar o neologismo ‘igrejal’ para apontar alguns aspectos que precisam sofrer uma avaliação por parte daqueles que se vangloriam de vida longa, em termos de experiência espiritual, em uma igreja local.

Devemos fazer um exercício de reminiscência (lembrança) dos princípios que regem a vida daqueles que servem a Deus, afirmando que longevidade (termo ligado à duração da vida) ‘igrejal’ não significa maturidade em hipótese alguma. O autor bíblico ressalta: “Embora a esta altura já devessem ser mestres, vocês precisam de alguém que lhes ensine novamente os princípios elementares da palavra de Deus. Estão precisando de leite, e não de alimento sólido!” (Hb 5.12-NVI). O atraso no desenvolvimento espiritual mostra que muitas pessoas estão experimentando longevidade ‘igrejal’, nos termos já apontados acima, mas ainda vivem de forma imatura, necessitando de crescimento e alimento sólido. John F. MacArthur Jr. afirma que “Não se mede crescimento espiritual pelo calendário”.[1]

Quando longevidade ‘igrejal’ não se transforma em vida em Deus e com Cristo, encontramos um desvio do propósito celestial, pois a vivência no espaço da fé sem conformidade com o caráter de Cristo evidencia duração de comportamento religioso aprendido sem transformação real. A denúncia de Jesus sempre teve como objetivo confrontar a não percepção de realidades espirituais por parte daqueles que deveriam vivenciá-la. Longevidade ‘igrejal’ precisa ser acompanhada por indicadores de transformação como evidência da ação divina e da Palavra experimentada no coração.

Constatamos uma realidade evangélica apontada por números que reluzem, mas que demonstram improdutividade e distanciamento dos valores do Reino de Deus. Aqueles que pertencem ao Pai, que estão sujeitos a Ele, não vivem apenas um calendário religioso, mas somam na missão de reconciliação como servos obedientes.

Longevidade ‘igrejal’ pode ser considerada uma bênção quando acompanhada de uma visão profunda da vontade de Deus e por sua concretização no cotidiano, afetando o mundo de forma real. Longevidade ‘igrejal’ precisa resultar em vida com Cristo, em quebrantamento que produz atos de arrependimento, reconciliação com Deus e com o próximo, consagração de vida, estranhamento da injustiça que envolve atos de misericórdia e testemunho inteligente no mundo.

Longevidade ‘igrejal’ em si mesma denuncia um equívoco na vida daqueles que assumiram um compromisso com Deus, mas deixaram de ser atingidos de uma maneira profunda pela Palavra do Pai, se escravizaram nas formas e rituais, nos guetos denominacionais e se distanciaram do projeto divino ao longo do processo da caminhada da fé.

Longevidade ‘igrejal’ pode ser positiva e benfazeja, conquanto traduza uma experiência de fé centralizada na pessoa de Cristo (“Fui crucificado com Cristo” – Gl 2.20), acompanhe os princípios do Reino de Deus (“Pois o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo” – Rm 14.17) e revele uma ação profunda do Espírito Santo (“Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus” – Rm 8.14).

Evaldo Rocha

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