Na tarde de ontem, representantes de igrejas batistas de várias regiões do Rio de Janeiro estiveram reunidos no Seminário Batista do Sul do Brasil, na Tijuca, para conhecer as medidas anticorrupção lançadas pelo Ministério Público Federal. A proposta que pretende combater não apenas crimes de colarinho branco, mas uma cultura de corrupção em todas as esferas sociais, foi apresentada pelo Procurador da República Deltan Dallagnol, que integra a força-tarefa da Operação Lava-Jato e é membro da Igreja Batista do Bacacheri (PR).

O encontro aconteceu na Capela do STBSB. Com lotação máxima, líderes e pastores mostraram que pretendem cooperar com ações que podem gerar grandes transformações a começar com  pequenos gestos, tal como colher cartas de instituições e 1,5 milhões de assinaturas de apoio às 10 medidas do MPF.  Além disso, igrejas estão programando uma série de eventos para fortalecer esse apoio. A ideia é sair às ruas para mobilizações pacíficas em favor dessas medidas que, segundo Dallagnol, “podem mudar o Brasil, se Deus quiser”.

Muros contra a corrupção
Tomando como exemplo o profeta Neemias, o procurador mostrou que precisamos construir muros contra a corrupção. Esses muros vão desde ações éticas, que se configuram no cotidiano do brasileiro, a medidas mais rígidas contra crimes que tomam dos cofres públicos bilhões de reais anualmente. Para ser mais específico, o MPF afirma que o país tem um déficit anual de 200 bilhões de reais por conta da corrupção.

“Poderíamos resolver o problema do SUS, aumentando o investimento federal em saúde e também em educação em três vezes. Seria possível melhorar a segurança em pelo menos cinco vezes em todo o país. Ou ainda, um aspecto muito sensível aos cristãos, poderíamos retirar dez milhões de pessoas da miséria, que não tem dinheiro para comprar comida para sobreviver… e sobraria dinheiro.”, afirmou Dallagnol.

O procurador afirmou ainda que, apesar de sua importância, a operação Lava-Jato não muda o Brasil. O melhor que ela pode fazer é punir os culpados e ressarcir o país do valor mais próximo possível ao prejuízo causado. Mas as medidas propostas pelo Ministério Público podem tratar de um problema que, segundo Dallagnol, já se tornou um câncer. Foi com base nesse pensamento que as 10 propostas surgiram.

Começamos a pensar em como o sistema pode ser mudado, com base em estudos internacionais, para que tenhamos um país mais justo, com menos corrupção e impunidade. Foi aí que surgiu a ideia das 10 medidas contra a corrupção. A partir daí escrevemos dez medidas e enviamos para vários especialistas do país. Eles nos retornaram com suas considerações e fechamos o pacote.

Grande parte da população já suspeitava, mas o que se ouviu da boca do procurador, de que hoje “punição à corrupção é uma piada de mal gosto”, reforça a importância da aplicação dessas medidas o mais breve possível.

Um caso envolvendo crime de colarinho branco demora 5..10…20 anos ou mais na justiça.  A simples demora já gera a sensação de impunidade e estimula a prática do crime. Quando o caso não prescreve é muito difícil de se ter a execução da pena. Quando conseguimos executar, a pena é uma piada de mal gosto. Varia de 2 a 12 anos, só que no Brasil tradicionalmente a pena é fixada próximo ao mínimo legal, ou seja, a pena não passa de 4 anos. E essa pena é executada em regime aberto. Essa pena inferior a quatro anos pode ser substituída por pena restritiva de direitos, como prestação de serviços à comunidade e doação de cesta básica.


Como apoiar

No estado do Rio de Janeiro, igrejas batistas de Belford Roxo e Duque de Caxias já estão engajadas no recolhimento de assinaturas. Nos próximos dois meses, haverá cultos especiais enfatizando ética, compaixão e justiça e impactos de rua com o intuito de mostrar os danos da corrupção na sociedade. Confira a agenda que está sendo seguida pelas igrejas que estão apoiando esse movimento:

08 AGO – igrejas coletam imagens de famílias, adolescentes, jovens, estudantes e profissionais agindo contra a corrupção;

16 a 23 AGO – Cultos com mensagens sobre ética, compaixão e justiça, desafiando cada membro a coletar, no mínimo, 10 assinaturas;

29 AGO – Ações na cidade (Flash mob) com esquetes que representem a sociedade e como a corrupção paralisa a vida.

30 AGO – Entrega, nos cultos, das assinaturas coletadas pelos membros;

02 SET – A partir das 6h, colorir de verde e amarelo as proximidades da procuradoria da república. Às 9h, haverá a entrega das assinaturas coletadas ao procurador da república.

 

Veja quais são as 10 medidas propostas pelo MPF

  1. Criminalização do enriquecimento ilícito de agentes públicos
  2. Prevenção à corrupção, transparência e proteção à fonte de informação
  3. Responsabilização dos partidos políticos e criminalização do caixa 2
  4. Aumento das penas e crime hediondo para corrupção de altos valores
  5. Reforma sistêmica de prescrição penal
  6. Celeridade nas ações de improbidade administrativa
  7. Eficiência dos recursos no processo penal
  8. Ajustes nas nulidades penais
  9. Prisão preventiva para assegurar a devolução do dinheiro desviado
  10. Recuperação do lucro derivado do crime

 

Galeria de Fotos

 

 

» Para conhecer mais detalhes das 10 medidas, acesse o site www.combateacorrupcao.mpf.mp.br/10-medidas

» Para apoiar a causa nas redes sociais: facebook.com/mude.chega

» Para dúvidas, envie um e-mail para [email protected]