Há seis anos trabalhando no Lar Batista do Ancião, inúmeras vezes já me fizeram esse questionamento. Confesso que, como instituição confessional cristã, ela deveria, sim, viver somente de doações. Mas, na realidade, um serviço de acolhimento institucional ao idoso não é algo simples e muito menos barato.

Na última década tivemos mudanças significativas no que diz respeito ao atendimento institucional ao idoso. Após o escândalo da Clínica Santa Genoveva, em 1996, onde 156 idoso morreram num período de cinco meses, levantou-se a questão sobre que tipo de atendimento era oferecido aos idosos institucionalizados, visto que nessa época não existia legislação específica que fiscalizasse esses espaços. Em 2003, é sancionada a Lei 10.741 – O Estatuto do Idoso – momento quando se reconhece legalmente a vulnerabilidade do idoso e da garantia de direito à proteção.

Partindo do Estatuto do Idoso, surgem outras legislações que regulamentam as instituições totais que atendem idosos em caráter permanente, alterando a nomenclatura de “ASILO” para ILPI (Instituição de longa permanência para idosos), exigindo uma prestação de serviço de acolhimento não pode ser pautada na caridade e boa vontade somente, sendo primordial um atendimento técnico e especializado em gerontologia. Sendo assim, as instituições de idosos no Município do Rio de Janeiro devem corresponder em seu atendimento às atuais legislações vigentes: 283/05 ANVISA, Resolução Municipal 2.719/15, Lei estadual 8.049/18, passíveis de fiscalização da Vigilância Sanitária, Ministério Público, Conselho dos Direitos da Pessoa Idosa e outros previstos em lei. O conjunto destas legislações apresenta a importância da prestação de serviços ao idoso institucionalizado por uma equipe multidisciplinar, tais como: técnico de enfermagem, cuidador de idosos, cozinheiros e auxiliares de limpeza, manutenção e lavanderia.

Toda essa estrutura de Recursos Humanos demanda relações trabalhistas, geradora de um alto e principal custo financeiro na realização dessa Missão de cuidar de idosos que é ininterrupta, onde o trabalho voluntário só deve ser considerado em caráter complementar. Pois o mesmo traz em si fragilidades que prejudicam o atendimento ao idoso – que depende de terceiros para realizar suas atividade de vida diária.

Diante da realidade atual e baixíssima cooperação financeira convencional, o Lar Batista do Ancião tem sobrevivido através de fixação de uma mensalidade para custear a folha de pagamento dos profissionais contratados. Mas, se tratando de uma instituição cristã, não tratamos essa relação financeira de forma fria, buscando sempre considerar as necessidades para o pleno funcionamento do Lar, tendo em vista que 75% da receita são absorvidas com recursos humanos. Desta forma, as doações de diversas formas nos ajudam a complementar ou reduzir custos em busca de um almejado equilíbrio financeiro e um atendimento de qualidade.

Sendo assim, meus irmãos, nós Batistas Cariocas podemos mudar essa realidade e transformar o Lar Batista do Ancião num lugar acessível a qualquer idoso que necessitar de amparo, mas só é possível se unirmos forças. E Deus, que faz o impossível, completará a obra que não é de homens, pois os homens passam, como uma flor do campo que murcha e cai, pois, enquanto Jesus não vier buscar sua igreja, as mazelas do pecado multiplicam-se e continuam. Por isso convido aos irmãos: foquem na Missão!

Se você ainda não conhece o Lar Batista do Ancião, venha nos conhecer. São diversas as oportunidades de nos ajudar!

Elaine F. Alves Nolding
Assistente Social da Junta de Ação Social da Convenção Batista Carioca e do Lar Batista do Ancião em Campo Grande, Rio de Janeiro – RJ