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Os congressos anteriores (na Segunda Igreja Batista do Rio de Janeiro, em 2014, e na Primeira Igreja Batista de Madureira, em 2015) abordaram os seguintes temas: modelos eclesiásticos, liturgia do culto, dom de línguas, função apostólica, autonomia da igreja, unção com óleo, ministério como projeto de Deus e ética no relacionamento entre igrejas.

Na Assembleia da CBC de 2015, foi aprovada a realização de um fórum de debates a partir das conclusões dos congressos anteriores no propósito de ser elaborado um documento com o posicionamento oficial da CBC sobre os temas abordados, fundamentando bases para o acompanhamento das igrejas.

Dividimos esses subtemas em dois temas principais, os mesmos a serem considerados no próximo congresso a realizar-se em 2016.

Dom de línguas
Entendemos que o dom de línguas, não no sentido de compreender outros idiomas sem conhecê-lo, como acontece em Atos 2, mas de uma fala extática sem correspondência idiomática terrena tema da abordagem paulina no capítulo 14 de 1 Coríntios trata-se, na verdade, de uma experiência de cunho pessoal e não comunitário, isto é, que não pode ser imposto para a coletividade eclesiástica como comprovação de espiritualidade ou, tal qual se oficializou na declaração doutrinária da Assembleia de Deus, por exemplo, de marca distintiva da presença do Espírito Santo na vida do crente numa experiência posterior à conversão (popularmente chamada de batismo no Espírito Santo).

Também não consideramos que seja um dom central e indispensável, mas de transitoriedade, no sentido de que não possui caráter de obrigatoriedade na experiência geral do cristão (até porque é uma experiência suscetível a manipulações emocionais e de fácil apropriação mimética no grupo social que a considera fator de aceitação na comunidade).
Centralidade e indispensabilidade, como Paulo observa em 1 Coríntios 13.1-13 e em Romanos 129-27, é uma categoria do dom do amor, este sim imposto como necessário à igreja para manter sua unidade e comunhão.

Entendemos, enfim, que não são os dons que demonstram o caráter do cristão até porque não são critérios definitivos para atestar a comunhão de alguém com o Senhor, conforme as próprias palavras de Jesus em Mateus 7.21-23 e sim as virtudes do fruto do Espírito (Gálatas 5.22-25).

Ministério apostólico
Entendemos que a palavra apóstolo como função na igreja refere-se inicialmente aos doze separados por Jesus e a Paulo que cumpriu em seu chamado as duas condições essenciais para exercer o ministério apostólico: ter acompanhado Jesus em seu ministério na terra e ser testemunha da ressurreição (Mateus 10.2-4; Atos 1.21-22).

Como a palavra grega apóstolo se refere, etimologicamente, a alguém comissionado ou enviado para o cumprimento de uma missão, podemos entender que, na igreja de Cristo, temos todos uma condição apostólica, pois somos todos testemunhas de Jesus para fazer discípulos.

Portanto, em termos de função apostólica como um ministério específico no contexto eclesiástico houve apóstolos separados diretamente por Jesus para exercerem o papel de fundamentar as bases da igreja no período inicial (Efésios 2.20). Em termos de condição apostólica como responsáveis por cumprir a missão da igreja de fazer novos discípulos e testemunhar acerca do evangelho cada crente é um apóstolo, ou seja, um vocacionado ou comissionado por Jesus.

Unção com óleo
A unção com óleo era um costume judaico, conforme narrativas do Antigo Testamento, para representar a consagração de pessoas a Deus ou a uma determinada função, como no caso de sacerdotes (Êxodo 30.30; Levítico 8.12), reis (1 Samuel 10.1, 16.13; 1 Reis 1.39) e profetas (1 Reis 19.16). Tanto que a palavra hebraica messias significa ungido.

No Novo Testamento, além de ser material de preparo para o embalsamento do corpo (Marcos 14.8; Lucas 23.56) e símbolo de honraria a um visitante ilustre (Lucas 7.38,46, nesse caso foi utilizado um perfume), a unção possuía caráter terapêutico (Marcos 6.13; Tiago 5.14), no sentido de que a aplicação do unguento (aleiphos, no grego) refere-se a um processo usado na época para medicação e cura de um enfermo. A ênfase na oração é uma expectativa de que o tratamento fosse abençoado por Deus para dar resultados positivos.

Mesmo considerando, como no caso das opiniões divergentes, que a unção não tivesse vínculo com uso terapêutico, fica claro nos textos que não há poder no ato em si, ou no óleo aplicado, mas na ação poderosa de Deus em resposta à oração confiante.

Não há, portanto, qualquer razão para que a unção com óleo seja tratada, como em alguns ambientes evangélicos, de forma mística ou mágica, ou para que o costume seja imposto como algo fundamental, quase sacramental, para viabilizar a ação divina.