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RELATÓRIO DA ASSOCIAÇÃO DE EDUCADORES CRISTÃOS BATISTAS CARIOCAS A SER APRESENTADO NA REUNIÃO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DA CBC, NO DIA 09 DE AGOSTO DE 2016.
“Pois tudo o que foi escrito no passado, foi escrito para nos ensinar, de forma que, por meio da perseverança e do bom ânimo procedentes das Escrituras, mantenhamos a nossa esperança.”
(Romanos 15.4)

Deus, nosso maior exemplo de Educador, desde o princípio nos mostrava a importância de registrar as orientações ao povo para que por mais que o tempo passasse eles não ficassem sem a instrução do caminho em que deveriam seguir. Deus fazia questão que tudo fosse registrado e, até hoje, nós lemos esses registros e conhecemos suas orientações e sua vontade. Os registros divinos nos trazem exemplos de servos perseverantes e animados na obra de Deus e isso nos mantêm esperançosos em nossa participação nesta continua obra divina.

E registrar nossos feitos e nossos objetivos tem sido nossa meta de contribuição para os educadores do campo carioca. Retomar o olhar de nossos fundamentos teóricos tem sido a proposta da Associação de Educadores Cristãos Batistas Cariocas (AECBC). A proposta de nossa relevância começa num documento denominacional: Plano Diretor de Ensino Religioso (PDER), que norteia nossa finalidade e define nossos objetivos e propostas educacionais.

O PDER, documento elaborado em 2007 pelo Comitê de Educação Religiosa, apresentado na Assembléia da CBB em Florianópolis (SC), direciona o ato de se fazer educação religiosa nas igrejas batistas, ampliando o processo ensino-aprendizagem, de modo a partir de uma teologia e filosofia (pensar teórico) de educação do ponto de vista cristão, para depois entrar no âmbito da prática do ensino através da capacitação de nosso povo nas mais variadas áreas do cristianismo e da vida cristã.

Para operacionalizar o PDER, surgiu a necessidade das associações de educação cristã numa rede capilarizada de atendimento por meio de encontros regionais de excelência educacional religiosa de modo a oferecer assessoria às igrejas locais. No caso do campo carioca isto acontece através da AECBC.

Para resgatar essas instruções registradas no PDER sobre nosso fundamento, nos propomos à criação de um Grupo de Trabalho (GT) composto por educadores representantes das associações locais das igrejas batistas na busca pela operacionalização do PDER. Operacionalização esta que nos leva à necessidade da criação de um Projeto Político Pedagógico (PPP) e da Matriz Curricular da AECBC.

Sendo assim, convocamos os educadores cariocas para integração no Grupo de Trabalho da AERCBC. Após a convocação, e manifestação dos educadores, formamos o grupo de trabalho com 15 (quinze) integrantes, incluindo a diretoria da AECBC, que foi oficialmente apresentada no I Fórum Literário que realizamos em 11 de junho na IB Evangélica em Engenho Novo. No dia 18 de junho, realizamos a primeira reunião do grupo, na PIB da Fundação, onde analisamos o PDER e nos apoderamos das orientações nele contido. Nos separamos por associações locais e cada educador ficou responsável por fazer contato com as igrejas das associações e fazer contato direto com os educadores ou responsáveis pela educação nas igrejas para enviar o questionário elaborado para sondagem da realidade da Educação Cristã nas igrejas batistas cariocas.

Ainda no mês de junho, participamos pela primeira vez, no mandato desta diretoria, da reunião do comitê da CBC. Tivemos a oportunidade de apresentar nossas propostas do Grupo de Trabalho para elaboração do projeto pedagógico e da matriz curricular e nos colocamos mais uma vez à disposição das outras associações para colaborar com a edificação e atualização da liderança.

No dia 11 de junho, realizamos o I Fórum Literário da AERCBC, na IB Evangélica do Engenho Novo, com o tema: Um olhar crítico sobre a EBD: Objetivos e Literaturas. Contamos com a presença do professor Silvino Netto, que tratou sobre: A EBD como ferramenta na erradicação do analfabetismo funcional. E com as educadoras Rosangela Motta e Lídia Pierott, compondo a mesa de debate sobre: Currículo e Literaturas da EBD. Ao final deste relatório, segue o artigo sobre o assunto desta mesa de debate que será publicado em breve em O Jornal Batista.

Ainda em junho, participamos da reunião do Conselho da CBC, onde apresentamos nosso relatório. Nesta oportunidade, parabenizamos os pastores pelo Dia do Pastor e ressaltamos nossa alegria pela participação de pastores em nossos eventos realizados, convocando os pastores presentes que participem e incentivem os líderes na área da educação a participar também para que possamos nos fortalecer mutuamente no exercício de nossos ministérios.

Ainda na proposta de operacionalização do PDER, nos aproximamos das associações locais das igrejas batistas e estamos comparecendo às assembléias das associações das igrejas batistas cariocas e às suas respectivas reuniões de planejamento para aproveitarmos as oportunidades dadas às representações denominacional. No dia 25 de junho, a vice-presidente Simone Morais representou a AERCBC na Assembléia da Associação Leopoldinense, na PIB de Cordovil, e a secretária Edinir Luiza Carvalho esteve presente na 5ª Assembléia da Associação Real, na IB Central de Cosmos.

Participamos do Congresso da Ordem dos Pastores da subseção carioca no dia 12 de julho, na PIB em Jardim Palmares, onde nos foi dada a oportunidade de falarmos sobre a relevância do investimento pastoral na educação cristã, a começar pelo incentivo para aqueles que respondem pela Educação Cristã em suas igrejas para ingresso no curso de educação religiosa. De 13 a 16 julho, estivemos presentes na 60ª Assembléia da Associação das Igrejas Batistas do Oeste Carioca (AIBOC), na PIB Jardim Palmares. Evento que fomos solicitadas para organização do memorial da história da Associação. Momento marcante na história da AECBC, já que tivemos total apoio na divulgação de nossas ações como associação e nos permitiu maior contato com pastores e líderes que participaram da assembléia. Oportunizou-nos: apresentar nossos objetivos como associação; valorizar o papel do educador cristão junto às igrejas e da associação junto às associações das igrejas; e atuarmos como educadores apresentando a história da AIBOC dando um “toque especial” ao reconhecimento de seu valor junto às igrejas e aos bairros da Zona Oeste.

Nosso foco tem sido a reconstrução da imagem da nossa associação, construindo nossos valores e apresentando nossa finalidade na estrutura da Convenção. Temos trabalhado para construção de um relacionamento com os educadores do campo carioca e com as outras organizações e associações. Temos aproveitado todas as oportunidades para nos colocarmos à disposição para edificar e fortalecer os servos de Deus que foram convocados à realizar para a obra.

Nesta mesma proposta de operacionalização, ampliamos nossas ações e prestamos assessoria para algumas igrejas nas ações de educação cristã desenvolvidas. Em junho,  a nova diretora de Educação Cristã da PIB na Estrada do Engenho na construção da educação cristã na igreja. A diretora não tem formação de educação cristã e a convite dela e da direção da igreja fomos até lá, primeiro, em reunião com a diretora de EC e com o dirigente da igreja, e posteriormente, com toda igreja no culto matinal através da mensagem da presidente da AECBC sobre os objetivos e execução da Educação Cristã nas igrejas batistas. No dia 09 de julho, prestamos assessoria para os líderes do departamento infantil da IB Jardim Guanabara (Ilha do Governador), com a palestra sobre: A criança e o Reino de Deus.

No dia 19 de julho, a AECBC esteve presente na pessoa da presidente na reunião do Departamento de Associações das Igrejas Batistas Cariocas com executivos e presidentes das associações das igrejas locais. Apresentamos nossa disposição para colaborar com o trabalho realizado pelas associações para potencializar ainda mais as ações educativas que estas promovem junto às igrejas batistas cariocas. Estamos dispostos a participar e colaborar com suas assembléias anuais e demais realizações sempre que for possível e necessário.

No dia 31 de julho, a AECBC esteve presente na IB em Vila Isabel, para participação no culto de gratidão pela formação do Pr. Misael no curso de Pós Graduação em Educação Especial Inclusiva e do Pr. Wagner no curso de Bacharel em Serviço Social. Nesta ocasião, a mensageira foi a educadora Priscila Mota, presidente da AECBC. Nossa participação marca nosso incentivo à educação continuada dos pastores, entendendo que assim serão cada vez mais bem preparados para o exercício de seu ministério por se manterem atualizados educacionalmente.

O Jornal Batista publicou no dia 31 de julho nosso artigo sobre o tema da oficina de “Igreja na EBD, como é possível?”, apresentada no VI Congresso de Educação Religiosa (fev/16), o que permitiu que nosso diálogo fosse visualizado por mais pessoas além de registrar oficialmente nossa discussão, fomentando a reflexão crítica sobre o tema.

A AECBC contribuiu mais uma vez com a Assembléia de uma associação de igrejas batistas, dessa vez, com a Assembléia da Associação das Igrejas Batistas da Ilha no Governador, no dia 06 de agosto, na PIB em Jardim Duas Praias. Em parceria com a UFMBC e UMHBC realizamos a Roda de Conversa com líderes e pastores sobre o trabalho com Embaixadores e Mensageiras do Rei. Foi um momento de troca e incentivo à continuidade do trabalho com essas organizações missionárias. Nossos facilitadores foram: Pr. Nivaldino Cipriano Bastos (SIB Irajá) e Simone Morais (Vice-presidente da AECBC).

Nosso último evento aconteceu dia 13 de agosto, na PIB em Marechal Hermes, onde realizamos o Circuito de Diálogos: Igreja inclusiva, cuidando dos especiais. Neste encontro tratamos sobre mobilidade e acessibilidade no ambiente eclesiástico e sobre o ensino cristão para os portadores de deficiências motoras, físicas e cognitivas. Contamos com a presença de mais de 40 inscritos, com a grata surpresa de líderes de bairros antes sem representação como Queimados e Japeri, além de pastores e professores da rede de ensino secular.

Neste mesmo dia, após o evento, realizamos a 2ª reunião do Grupo de Trabalho da  AECBC, onde nos propusemos a uma análise teórica-prática das orientações no PDER/CBB sobre a elaboração dos fundamentos filosóficos e teológicos.que irão compor nosso Projeto Político Pedagógico.

Aos poucos estamos reconquistando o espaço que já havia sido destinado à educação religiosa. E cremos que nossa relevância apenas precisa ser relembrada, já que nunca deixou de existir. Estamos empenhados nessa valorosa e relevante contribuição para o fortalecimento do povo de Deus. Que o Senhor continue operando em nós e através de nós, e que toda obra de nossas mãos exalte o Deus que nos escolheu para esse ministério.

RESULTADO DA MESA DE DEBATE SOBRE “CURRÍCULO E LITERATURA DO    I FÓRUM DE DEBATES: UM OLHAR CRÍTICO SOBRE NOSSA EBD –  OBJETIVOS E LITERATURA (jun/2016).

A Associação de Educadores Cristãos Batistas Cariocas (AECBC) realizou seu I Fórum Literário, na Igreja Batista do Engenho Novo (RJ) com o seguinte tema: “Um olhar crítico sobre a EBD: Currículo & Literatura”, tendo como público alvo educadores, pastores e responsáveis pela Escola Bíblica das igrejas locais de nossa denominação.

Um dos temas abordado foi: Currículo & Literatura, e nesta mesa tivemos o prazer de ter conosco a participação de três educadoras de total competência pela atuação profissional e o trabalho que desenvolvem em suas igrejas: Rosângela Motta (Educadora Cristã da PIB em Moça Bonita/RJ) e Lídia Pierott (Coordenadora Nacional dos Amigos de Missões) como integrantes e Eliete Celestino (Educadora Cristã da PIB em Mesquita/RJ) como facilitadora.

A discussão reflexiva sobre a organização do currículo e a tarefa difícil da seleção das literaturas fez oxigenar a mente em relação aos posicionamentos colocados sobre o processo educativo na escola bíblica. A fala dessas educadoras trouxe-nos dois lados de uma mesma questão, com visões diferenciadas de uma mesma proposta, que nos fizeram repensar o modo como encaramos o processo ensino aprendizagem em nossas igrejas.

A educadora Lídia apresentou a visão filosófica tradicional para a formação do aluno no ensino integral e sistemático da bíblia toda e como ele deve ser aplicado para que tenhamos um rumo, um caminho, para alcançar os objetivos propostos. Trazendo-nos essa organização, que conta primariamente com o currículo que queremos oferecer, com a escolha do conteúdo e a construção de uma matriz curricular para seguirmos. Chamando-nos a  atenção principalmente sobre essa “matriz curricular” que precisa ser construída e organizada pelo educador da igreja local, pensando no aluno e no tempo que ele ficará conosco, e para tanto, o ensino deve ser organizado em curto, médio e longo prazo, para não deixarmos de oferecer a ele, todo conteúdo bíblico para um aprendizado sistemático.

A educadora Rosangela com um olhar mais sentimental para essa visão filosófica, trouxe-nos um lado inquietante desse processo que é a reflexão dos resultados desse ensino sistematizado, revelando então, uma angústia que aparece quando, apesar de toda fundamentação teórica da visão filosófica, a operacionalização parece não acontecer da maneira que esperávamos, parece que falta alguma coisa tanto da parte do professor quanto da parte do aluno, o que fez com que a maioria da platéia se identificasse com a mesma situação, tendo o mesmo sentimento de que toda sistematização do ensino passa por diferentes percepções ao ser executado pelos professores e é apreendido de forma diferente ao chegar no aluno. E então refletimos sobre o motivo pelo qual possivelmente isso acontece quando trabalhamos com os moldes educacionais, e nos colocamos somente como reprodutores deles, e confiamos que por si só dará certo.

Existe uma armadilha perigosa quando nos esquecemos do tão necessário olhar do todo: avaliando, ouvindo, observando, repensando e reescrevendo essa prática que exige movimento, por ser processo educacional e que não pode e nem deve ser mecanizado numa forma de reprodução engessada na sua prática. Não existe uma fórmula mágica, mas a exemplo de como Rosangela faz em sua igreja local onde atua como educadora cristã, pode nos trazer um pensar ampliado sobre o ensino bíblico nas escolas de nossas igrejas, refletimos sobre o uso das literaturas e da bíblia. Percebemos a necessidade de considerarmos quem é esse aluno através de uma triagem pessoal do seu perfil e de como gosta de aprender, para que através dessas informações ele possa ser matriculado numa classe que tem o professor com as características de ensino mais próximas de quem pode proporcionar a esse aluno um ensino mais eficaz como ele quer e precisa aprender.

Via de regra, realizamos capacitações para os professores e oferecemos todas informações sobre metodologias e recursos que conhecemos, ele ouve todo aquele conteúdo e volta para sala de aula repetindo sua técnica expositiva. A sensação é que ele não consegue compreender o que ensinamos, mas na verdade isso indica a individualidade característica que cada professor tem para ensinar. Se o professor leciona fazendo a exposição discursiva de sua aula, e tem habilidade assim, ele deve ser valorizado recebendo alunos que aprenderão melhor com essa técnica, da mesma forma que aquele professor que tem habilidade com outros recursos e técnicas deve receber alunos que tem aptidão para aprender com esse tipo de ensino.

Cada pessoa, tanto professor quanto aluno, precisa estar ocupando o lugar certo para que o ensino aprendizagem seja mais eficaz para ambos. Isso motiva, isso faz o ensino ser dinâmico.
A literatura é uma ferramenta e não pode ocupar o lugar do currículo. Por isso, é necessário ter uma matriz curricular que norteará o currículo, delimitando a escolha da literatura. Sendo assim, devemos pensar na bíblia que se transforma em tema e não ao contrário, o adquirir revistas será a partir do que queremos e sabemos que esse aluno precisa e quer aprender. É importante que o professor compreenda esse caminho da seleção literária para que ele siga em direção dos objetivos a serem alcançados.

Pela avaliação final dos participantes do Fórum, observamos a necessidade de outros momentos para essa discussão sobre currículo e literatura, porém, esse I Fórum nos deixou com as mentes acionadas, para que a nossa escola seja de fato um lugar onde a bíblia seja ensinada e aprendida da melhor forma para que todos os crentes em Jesus que participam dela sejam privilegiados com o crescimento espiritual, naquilo que depender de nós os educadores.

Com grande alegria encerramos o I Fórum Literário, sabendo que esse é só o início desse movimento de reflexão e crítica sobre nossos padrões curriculares. Que Deus continue nos orientando no ensino do seu povo.

Edinir Luiza Machado Coelho de Carvalho
Secretária; Membro da Primeira Igreja Batista de Cosmos; Bacharel em Educação Religiosa (ICER); Juiz de Paz Eclesiástico (FATUN).

Priscila Mariano da Silva Mota
Educadora Religiosa; membro da IB Nova Canaã (RJ); Presidente da AERCBC; Professora do ICER (polo Padre Miguel e Bangu).